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Pesqueiro Cantareira

Pesqueiro Cantareira

Amigos, sei que nossa revista, hoje, chega em todo o Brasil e também no mundo,através das redes sociais. Por isso gostaria de apresentar o pesqueiro Cantareira sobre uma ótica diferente. É o nosso patrimônio urbano da pesca. É dentro da cidade de São Paulo. Assim é o pesqueiro mais barato na despesa de locomoção. Você pode ir de metrô e ônibus municipal. É o mais bem estruturado com essa característica. Fica dentro do clube da Sabesp ao lado do Horto Florestal de São Paulo, na zona norte. Nem por isso, quando estiver lá, vai perceber que está dentro da cidade. Rodeado por muito verde, com uma natureza exuberante, é um oásis que devemos valorizar e prestigiar. Normalmente não damos valor ao que temos, mas nesse caso é um tesouro para nós paulistanos.
 
Como é dentro do Clube da Sabesp é um lugar preservado e bem cuidado, anexo a uma reserva natural que fornece a água límpida que abastece os lagos e oferece até uma cachoeira onde as pessoas podem se refrescar em dias quentes. É uma ducha enorme que limpa tudo. Até os males espirituais. Historicamente, esses lagos no passado, faziam parte do sistema de captação de água para fornecimento à cidade de São Paulo. Tempo em que a água era quase de graça. Mas nem por isso não deixava de ser saudável e limpa. Nessa época não se tinha falta de água. Mas a cidade cresceu muito com o decorrer do tempo, se transformando numa megalópole e novas soluções foram criadas e esses lagos do Cantareira ficaram obsoletos e sem finalidade. Foi assim que surgiu o pesqueiro para que de certa forma fosse possível ter a manutenção e tivessem utilidade.
 
Muito bem cuidados, os lagos têm toda a volta protegida por uma contenção através de uma mureta de concreto. Isso em função lá da época em que era reservatório de água da Sabesp. Isso proporciona muito conforto porque sempre está limpo, fácil de caminhar no entorno e também se acomodar para pescar. Afinal é um pesqueiro urbano.
 
Quanto à pesca, hoje o Cantareira é administrado por dois empreendedores que trabalham muito pelo pesqueiro. Um é o Chicão e outro o Ricardo que são pessoas antenadas com o negócio. Também, entre os frequentadores, sempre têm celebridades da pesca que vão lá pela facilidade de se chegare usufruir do ambiente muito bom, proporcionado pelo carisma do Chicão e do Ricardo e sua equipe. Gente muito boa e amiga. Se for lá é possível ficar batendo papo por horas em vez de pescar. Lugar para fazer muitos amigos.
 
É conhecido como o pesqueiro que tem os maiores exemplares de Tilápias para se pescar. Normalmente as Tilápias pescadas têm de 4 a 5 kg, mas segundo o Chicão tem exemplares de 9 kg ou mais. É uma “Tilápiassauro” gigantona.Foi possível comprovar isso porque fizeram um remanejamento dos peixes entre os lagos e esses exemplares gigantes foram recolhidos de um lago para passar para outro.
 
Por essas características, o pesqueiro Cantareira virou um “Point” dos pescadores de Fly. Pois essa técnica além de ser muito produtiva, oferece o máximo de esportividade tendo ainda os fundamentos básicos dos princípios da pesca pela humanidade. É sem dúvida a técnica mais clássica que é praticada hoje. Entre os frequentadores, tem muitos principiantes, pescadores triviais e os grandes mestres que vão lá para treinar e aprimorar ainda mais as técnicas. Sempre com troca de informações de materiais, iscas e métodos, o que é bom para o estilo. Quem quiser iniciar no Fly, lugar bem adequado para ir.
 
No Cantareira também é praticado a técnica do Fly Caipira. E o que é o Fly Caipira? Aparentemente não tem nada do Fly. A técnica consiste em usar os fundamentos do Fly de oferecer as iscas o mais discreto possível, mas num equipamento de arremesso (baitcasting) que podem ser carretilha ou molinete. Sempre com varas leves e deve-se usar a menor boia para arremessar a isca. É possível ser praticado com qualquer equipamento popular ou de custo/benefício, desde que tenha bom freio ou fricção com capacidade de jogar pesos leves. Bem praticado, tem a mesma produtividade do Fly Clássico e com muita agilidade. Normalmente se usa ração na pinga como isca, mas pode ser usado EVAs e ração artificial de cortiça, também. Os lagos no Cantareira, estão divididos em 3 locais para pesca. O primeiro lago à direita de quem chega é o lago das Tilápias, mas tem Carpas Cabeçudas e Húngaras muito grandes. Também tem Pacus, mas predomina as grandes Tilápias em grande quantidade.
 
No lago à esquerda de quem chega é o lago dos grandes Tambacus e Pacus. É o lago maior, mas foi dividido por uma mureta separando um terço do seu tamanho, proporcionando o terceiro lago para a pesca com varas de mão. Esse terceiro lago, também está repleto de Tilápias, Carpas, Catfish... É a alegria de quem gosta de pesca com as varinhas de mão. Pega-se muito peixe.
 
Amigos, a imagem do Cantareira como um lugar que tem as maiores Tilápias para se pescar já está consolidada. Nessa matéria, decidimos mostrar as outras pescas que se pode praticar lá, por isso nosso objetivo foi pescar os grandes Tambas. Normalmente para se pescar Tambas, temos que frequentar pesqueiros a quilômetros e quilômetros da capital. Mas vejam só o resultado de nossa pescaria de Tambas, no nosso pesqueiro urbano. Dentro da cidade de São Paulo. Foram muitos exemplares.
 
Nesse evento, participaram o Ricardo Yamada, o Jairo Naca, o Jean Coqui, o Marcelo Takahashi, o Júnior JM, o Octávio Takahashi, o Sr. Washington e eu, Nelson Chiba. E no período da tarde, coincidentemente, tivemos a presença do Erick Luengo, grande pescador e responsável por grandes matérias de pesca no mar, nas plataformas. O Erick veio acompanhado pelo amigo Thiago Macarin, pescador que tem preferência pela pesca de arremesso. Vejam só amigos, a cada dia, perdemos os preconceitos entre os pescadores de diversos estilos, se unindo numa grande comunidade da pesca. E os pesqueiros estão virando ponto de encontro, não importando a preferência de cada um. Muito bom.
 
Desde os primeiros minutos da manhã, o Ricardo Yamada e eu, nos dirigimos para o lago dos Tambas. Lugar escolhido pelo Ricardo , foi ao lado da corda. Eu fiquei ao seu lado direito. Inicialmente, joguei uns 5 copos de ração só com a cevadeira para ver se os peixes subiriam para comer. E como eram os primeiros minutos de pesca na manhã, começaram os grandes rebojos. Por ser um lugar onde a água proporciona boa visibilidade para os peixes e tem grande impacto de pesca, notei que quando jogava a cevadeira, os peixes sumiam. Então optei por pescar com dois equipamentos. Um só para jogar ceva e outro para pescar. Pra pescar, usei uma pequena boia torpedo. E em vez de pescar na superfície, usei um chicote de 80 cm. Como isca, ração furadinha ou uma bolinha de massa. Assim, arremessava a cevadeira, recolhia rapidamente, esperava os peixes subirem pra comer, então jogava o pequeno torpedo em cima com a isca. Os 4 primeiros arremessos, foram 4 peixes fisgados. Dois escaparam na beirada, mas dois foram pra foto. O Yamada, seguindo a tradição do seu estilo, usou um chicote de quase 4 metros. Jogava a cevadeira e recolhia o suficiente para seu anzol ficar no meio da ceva e a cevadeira longe dos peixes. Como isca a ração furadinha. Nos primeiros arremessos fisgou um belo Dourado. Muito brigador, com grandes saltos fora d´água. É o Rei do rio. Começou então uma sequência de capturas que parece que não acabava mais. Muito produtivo. Pegamos muitos Tambas e Pacus. Praticamente cada arremesso um gigante na linha, demorando mais para tirar do que para fisgar.
 
O JeanCoqui, se dirigiu para o lago das grandeTilápias, pois o Chicão avisou que as maiores Carpas estão naquele lago. Uma das preferência do Jean é pescar as grande Carpas com a sua técnica do ultralight. Foi uma festa. Muitas capturas. Carpas e Tilápias gigantes. O tempo todo com peixe na linha. O Jean estava muito motivado, pois não conhecia o Cantareira. Ficou muito admirado, pois antes de começar, deu uma volta em todos os lagos para fazer um reconhecimento. Como ele tem uma visão mais técnica dos pesqueiros, ficou muito satisfeito em termos de lagos, afinal foram os lagos de captação de água da Sabesp. Não é qualquer coisa, não.
 
Juntamente com o Jean, pescou o Octávio. Optou pela pesca do Fly Caipira. Também, não teve graça. Não precisou nem jogar ração. Cada arremesso, uma Tilápia gigante na linha. O Octávio pegou o quanto quis. Chegou um momento que até desmotivou, pois sabia que se jogasse o anzol na água, ia pegar peixe. Que bom pescar desse jeito. Isso é para compensar as pescarias difíceis, pois na pesca é assim. Um dia do pescador, outro do peixe. Por mais que dominamos as técnicas, não dominamos a vontade dos peixes.
 
Os demais membros da equipe pescando no lago dos Tambas, no período da manhã, tiveram uma pesca mediana. Pescaram mais próximo à mureta e como desde cedo cevei bastante perto da corda, acho que o cardume deslocou para esse lugar. Então perto da mureta foi uma ou outra ação. Mas também saiu peixe. Pescaram o Yamada, Jairo, o Marcelo e o Junior JM nesse lugar.
 
Amigos, chegando na hora do almoço, uma informação importante. No pesqueiro não é possível servir almoço, pois ele fica dentro do clube da Sabesp. E dentro do clube, tem o restaurante deles, assim entendem que não é possível ter alguém ou o pesqueiro fazendo concorrência ao restaurante do clube. Não fui visitar o restaurante do Clube, mas pelo que soube, é possível ir lá almoçar. Assim não fiquei sabendo qual é o sistema e o cardápio apresentado. Mas no pesqueiro é possível fazer lanches. Aliás, lanches muito bons. Excepcionalmente, no dia que fomos fazer a matéria, como foi um evento único no ano, o pesqueiro preparou um almoço prato feito muito gostoso para nossa equipe. Isso para ser prático e manter todo o pessoal reunido. Para nós, uma mordomia. Obrigado Chicão e Ricardo.
 
No período da tarde, antes de voltarmos à pesca, decidimos ir conhecer a cachoeira. Momento em que boa parte da equipe aproveitou para usufruir de mais essa atração no pesqueiro. Muito legal o pessoal sério e outros com mais idade, voltarem a serem crianças, nadando e mergulhando no poço da cachoeira. Água gelada na cabeça, muita gritaria e muito engraçado. Acho que é uma das coisas que falta às vezes em nossa vida. Retornando à pesca, animados e com a mesma produtividade do período da manhã, fomos surpreendidos por uma chuva forte, mas deu tempo para recolhermos os materiais e abrigarmos na lanchonete. Ficamos mais de uma hora aguardando a chuva passar. Mas não foi ruim, não. Todos que estavam pescando no pesqueiro ficaram reunidos na área da lanchonete, então foi muito propício para todos se conhecerem. Nem precisa falar que pescadores são todos irmãos e bastam estarem juntos e mesmo que nunca se viram na vida, é tratado como alguém da família. É outro sentimento nobre da pesca. Na sequência, depois da chuva e final do dia, foi o melhor momento para fisgar os grandes Tambas. Então o Jairo aproveitou fisgando alguns exemplares e entre eles, talvez o maior exemplar pescado no dia. Parabéns Jairo. Agora também, grande pescador de pesqueiro. O Marcelo Takahashi também garantiu seus exemplares e o Junior JM honrou sua tradição de grande pescador. Tirou várias fotos com seus troféus. O Erick e o Thiago, que chegaram após o almoço, foram se divertir pescando de Fly. Assim representaram os pescadores dessa técnica, fisgando grandes Tilápias. Tiraram belas fotos para nos auxiliar na matéria.
 
Amigos, com certeza essa foi uma das matérias mais agitadas dessa temporada, com muitos peixes, banho de cachoeira, chuva de verão e muita alegria entre os pescadores. Todos ficaram felizes. Tanto é verdade que no dia seguinte à nossa matéria, o Chicão disse que iria colocar mais Tambas no lago. No dia de nossa presença, os peixes já estavam a caminho. Para acompanhar a soltura desses grandes exemplares e aproveitar para pescar mais uma vez, o Ricardo Yamada (que não gosta de pescar pouco), voltou no dia seguinte e documentou a soltura de mais peixes. Então vejam as fotos dos novos Marruás que foram soltos no lago do Cantareira. Para nós pescadores isso é tudo de bom.
 
Antes de encerrar a matéria queria prestar uma homenagem e agradecer a atenção do Sr. Mario. Trata-se de um senhor que quase todos os dias está lá no Cantareira e é um dos grandes pescadores do lugar. Gentilmente passou várias dicas e iscas que dão resultado. Para quem vai pela primeira vez, é um bom amigo para se conversar e aprender as dicas do pesqueiro. Sempre pronto para ajudar. Obrigado Sr. Mario.
 
Estou falando do Sr. Mario porque às vezes as pessoas pensam que é só chegar no pesqueiro e colocar a isca na água que vai pegar peixe. Mas não é bem assim. Tem um mínimo de técnica e jeito para pescar. Sabendo das dicas, ai fica mais fácil.
 
No caso da equipe da revista, somos todos profissionais que pescamos pelo menos uma vez por semana em pesqueiros. Então estamos sabendo de quase todos os macetes que tem para pegar os peixes. Além da vasta experiência que cada um tem, dentro de suas especialidades. Por isso, normalmente nossas pescarias são sempre muito produtivas. Um exemplo é o Yamada que é campeão de pesca em pesqueiro da edição da Fish TV, o Junior JM que foi campeão e bateu o recorde, em peso, de 9 anos da realização do Campeonato dos Bancários. O Jean Coqui que está revolucionando a pesca com o seu ultralight, ultramega produtivo. São pescadores top.
 
Para encerrar, gostaria de agradecer toda a nossa equipe top que facilitou a realização dessa matéria e também o Chicão, o Ricardo e toda a equipe do pesqueiro. Obrigado de coração. Foi uma das pescarias que me deixou imensamente feliz.
 
Assim, espero que os leitores e pescadores se sintam motivados e vá prestigiar o nosso pesqueiro urbano, que tem muitos peixes, muito verde, muita natureza, dentro de São Paulo. Que a nossa alegria, sejam a de vocês também quando forem pescar no Pesqueiro Cantareira.

O endereço é: Rua Luís Carlos Gentile de Laert, 2.500 – Vila Rosa – (dentro do Clube da Sabesp) – Tel.: 11 2204-7754.
Um grande abraço e que todos sejam felizes com a pesca.

Nelson Chiba
Pro Staff da Fishing News e pescador de pesqueiros.
nelsonchibapesca@gmail.com
YouTube: Nelson Chiba

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